01h51

A mente que não viaja fisicamente. A mente que muitos diriam não poder jamais se entusiasmar na monotonia dos dias. Uma mente que só se permite entusiasmar quando uma acção é a acção. A primeira de todas as vezes que pode ser experienciada, sentida.

A mente que não viaja fisicamente não é voraz, não é a mente da viagem, mas viaja célere. Será a viagem algo que se gera sempre antes de si? Pois a mente que viaja fisicamente começou por ser a mente não voraz, a mente que criou sonhos e raízes. Uma mente que aprende em profundidade, reinventando as paisagens e as histórias de um mesmo contexto, apenas aparentemente estático.

E assim segue a mente, aparentemente presa na apatia, segue viagem. As imagens que não deixam os olhos estáticos, a mente que não descansa, que aprende não pela primeira vez, mas de novo. A mente não voraz é a real impulsionadora da acção primordial  que despoletou o sentido da viagem. Fez o acontecimento ser algo que se quer que aconteça e fez ter acontecido, na mente da viagem,  que aprende de forma voraz. Tudo num êxtase frenético que agrada as mentes cansadas, na apatia, não da vida. O que é isso de vida apática? Mas da apatia de não conseguir reinventar mais nela.

No entanto, a viagem, a verdadeira aprendizagem não deixa o homem só.

A verdadeira aprendizagem retorna com o Homem, quando este re-torna da viagem. É o que o Homem conseguir partilhar, partindo da sua experiencia pessoal. Diriam muitos – é singela – perante a dimensão da humanidade. Humanidade da qual faz parte, mas sente o impulso de sair, só, talvez só um pouco, para conhecer algo novo, para se integrar num novo lugar.

E na volta, na verbalização da sua experiência, assim se apercebe que algo aprendeu, ficou. Mas foi na viagem, foi nos silêncios que escutou o que mais faltou, o que deixou. No momento em que a mente estava na preparação da viagem. O que ficou para lá, para trás?

Neste entrevalo entre o estático e o movimento, entre o lar e a viagem persiste a dúvida do coração. Do que fica num e outro espaços de respiração e sua sustenção. Um e outro. Noutro. Neutro. Lado. Pois se respira na dualidade dos lugares em que o cérebro sente e o coração acentua.

Talvez seja um reflexo. Sentir na partida e na viagem, algo real, porém irreplicável e talvez ilusório na lembrança do que se viveu. Relembrar a memória é fazê-la distorcida e torná-la numa outra, na cíclica vida, que relembra ciclos-memória, constantemente.

E na volta, o agora, o súbito assalto pela estranheza de quem escreve e dá por terminado o seu discurso. Um discurso que nunca teve lugar de origem ou destino. Porque a fala é a própria viagem. Com distantes caminhos, com escrita reescrita, com combinações por vezes sem sentido num tempo e lugar que parece não ser seu. E que lugar é esse de falar e saber que é tempo de fala?

O silêncio mantem a sua postura e a sua postura faz a fala em silêncios. Os silencios do ser, na procura da fala e da postura, na viagem do ser. A procura da sua essência. Nunca essência nas memórias recordadas, sempre essência na partida …

para a viagem da essência do ser.

 

maraabreu

 

 

 

 

 

 

 

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