23h32

As paredes vão se degradando

os homens se curvando

e essas ruas, cujas luzes

se estendiam sobre os telhados

até ao soturno mar.

Todos os amarelos prados

que sucumbem de verdejar

todas as nereidas, odaliscas e feiticeiras

que deixam de encantar

e essa vida de viajante, marinheiro

a vida de quem veio para partir

só o tempo irá ensinar

quando será a hora de voltar.

E quando todas as almas florirem

Recantos e escombros se abrirem

ao mais ínfimo raiar

ao céu de outro ar

quando essas terras acordarem

e outros murmurarem

essas paredes hão de se erguer

chamas hão de iluminar

e quando essa vida triunfar

um homem novo há de caminhar

e por todo esse vendaval

o homem se há de lembrar

que foi preciso olhar, gritar, morrer

para brotar, desabrochar, renascer.

maraabreu


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